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Obstetra explica como o cuidado contínuo apoia a gestante
Ginecologista e obstetra em Vitória (ES), Dr. Rafael Steffen detalha como o acompanhamento com o mesmo médico, das primeiras consultas ao pós-parto, permite agir rápido diante de alterações em exames, monitorar casos de alto risco e planejar com o...
23/10/2026 14h05
Por: Redação Fonte: Agência Dino

O acesso ao pré-natal é praticamente universal no Brasil, mas a passagem da gestação para o parto ainda expõe falhas de continuidade. A pesquisa Nascer no Brasil, conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com puérperas entrevistadas em 2011 e 2012, apontou cobertura de 98,7% da assistência pré-natal, com 88,4% das gestantes atendidas pelo mesmo profissional ao longo das consultas. No momento do nascimento, porém, 16,2% precisaram procurar mais de um serviço para serem admitidas e apenas 58,7% haviam sido orientadas sobre a maternidade de referência, segundo o estudo publicado nos Cadernos de Saúde Pública.

É nesse intervalo entre o consultório e a maternidade que atua o modelo adotado pelo ginecologista e obstetra Dr. Rafael Steffen, em Vitória (ES), no qual o mesmo médico conduz o pré-natal, realiza o parto e segue com a paciente depois do nascimento. "A gestação acontece todos os dias. O cuidado não deveria acontecer apenas nos dias de consulta. Essa é a essência do pré-natal em tempo real: a mulher ter acesso a mim também quando surge uma dúvida, chega um resultado de exame ou aparece uma preocupação", afirma o especialista, que defende o formato para todas as gestantes.

Exames e alto risco acompanhados de perto

As diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) para uma experiência positiva na gravidez recomendam ao menos oito contatos entre a gestante e a equipe de saúde. Entre um encontro e outro, no entanto, surgem resultados de exames, sintomas e dúvidas. "Desde as primeiras consultas, temos contato direto e uma plataforma compartilhada para acompanhar sua saúde. Esse cuidado se estende ao parto, normal ou cesáreo, e ao pós-parto", explica Steffen.

O médico descreve como a ferramenta funciona diante de uma alteração laboratorial. "Quando a gestante recebe o resultado de uma rotina de exames que eu solicitei, ela lança no nosso aplicativo e eu tenho acesso imediato. Digamos que, nesses resultados, apareça um teste positivo para toxoplasmose; isso precisa de exame complementar e cuidado rápido, e a paciente receberá tudo de maneira remota, sem ter que esperar a próxima consulta e deixar a situação se complicar", relata. Segundo ele, outras alterações podem aparecer nesses exames e, com uma ação rápida, é possível prevenir consequências mais graves para a gestação.

O monitoramento ganha peso quando há fatores de risco, condição que atingiu um quarto das participantes do levantamento da Fiocruz. "No diabetes gestacional, a paciente registra diariamente suas medidas de açúcar no sangue no aplicativo, e nós dois temos acesso às informações. Assim, consigo acompanhar a evolução e avaliar a necessidade de iniciar insulina ou ajustar suas doses. O tratamento acompanha o que está acontecendo com a paciente em tempo real, não apenas na data da próxima consulta", detalha o Dr. Rafael Steffen.

O obstetra ressalta que o canal digital tem limites. "É preciso destacar que o acompanhamento remoto não supre as demandas de urgência e emergência que exigem atendimento presencial, sem esperar uma resposta pelo aplicativo", pondera. "Para mim, a grande transformação está em usar a tecnologia para oferecer mais presença médica. A gestante não precisa interpretar um exame sozinha nem carregar uma preocupação até o próximo encontro", acentua.

Confiança que chega à sala de parto

A literatura científica trata a continuidade do cuidado como uma dimensão própria da experiência de dar à luz. Um estudo holandês publicado em 2018 na revista BMC Pregnancy and Childbirth, com 187 mulheres, encontrou correlação moderada entre a continuidade percebida e a qualidade do atendimento relatada pelas participantes e concluiu que esse aspecto deve ser avaliado de forma complementar à qualidade da assistência.

"No momento de dar à luz, a mulher deseja mais do que competência técnica: ela quer reconhecer quem está ao seu lado", comenta o Dr. Rafael Steffen. "É essa confiança que procuro construir desde a primeira consulta, com escuta, sensibilidade e empatia. Para mim, estar no parto é dar continuidade a uma relação, e não começar uma nova".

A escolha entre parto normal e cesárea, na avaliação do médico, também depende desse histórico. "Essa conversa precisa começar no pré-natal, e não na porta da maternidade", diz.

Para ele, o papel do obstetra é esclarecer sem induzir: "Não demonizo nem glamourizo o parto normal ou a cesárea. Meu papel é explicar como cada um acontece sem esconder ou inventar nada, seus benefícios, riscos e recuperação, além de orientar o que é adequado ao caso dela". A decisão respeita a autonomia da gestante e pode incluir o companheiro e outras pessoas que ela desejar. "Informar não é pressionar; acolher uma escolha não é deixar de cuidar da segurança", completa.

O plano é definido antes do trabalho de parto e pode ser revisto se as condições da mãe ou do bebê mudarem. "Procuro entender o que assusta aquela mulher: a dor, não ter passagem, a cirurgia, a recuperação, a possibilidade de não ser ouvida? Meu objetivo é que o medo não decida por ela. A via pode mudar; o respeito e o compromisso com o cuidado permanecem", acrescenta.

Saúde da mulher além do nascimento

Para o especialista, a gravidez também revela informações sobre a saúde futura. Uma revisão sistemática publicada em 2020 no British Medical Journal (BMJ), com 20 estudos e cerca de 1,3 milhão de mulheres, estimou risco quase dez vezes maior de diabetes tipo 2 após o diabetes gestacional. Outra metanálise do BMJ, de 2007, associou a pré-eclâmpsia a um risco cerca de 3,7 vezes maior de hipertensão anos depois. "Isso não significa que essas doenças necessariamente aparecerão: significa que temos uma oportunidade de prevenir e acompanhar mais de perto", observa.

"A gestação é uma janela de oportunidade para cuidar da mulher por inteiro", resume Steffen. Antes de engravidar, a revisão inclui medicamentos, vacinas e doenças preexistentes. Depois do parto, entram o apoio à amamentação, a recuperação física, a contracepção, a saúde mental e a reavaliação das alterações identificadas na gravidez. "O nascimento do bebê não encerra o cuidado com a mulher", conclui.

Para mais informações, basta acessar: http://drrafaelsteffen.med.br/