Quinta, 30 de Julho de 2026
22°C 33°C
Campo Grande, MS
Publicidade

Canetas emagrecedoras podem elevar risco de cálculo biliar

Estudo aponta maior incidência de problemas na vesícula com uso prolongado e doses mais altas desses medicamentos. Dr. Rodrigo Barbosa Novais, ciru...

06/05/2026 às 13h21
Por: Redação Fonte: Agência Dino
Compartilhe:
Imagem do Magnific/pikisuperstar
Imagem do Magnific/pikisuperstar

O uso de medicamentos para controle da obesidade e do diabetes tipo 2, como os agonistas do receptor GLP-1 — conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras — tem sido associado ao aumento do risco de doenças da vesícula biliar, especialmente cálculos biliares, segundo revisão publicada na SAGE Journals.

A análise reúne ensaios clínicos e aponta que o risco é mais observado em tratamentos prolongados, com doses mais altas e perda de peso mais acentuada. De acordo com o trabalho, esses medicamentos podem reduzir o esvaziamento adequado da vesícula biliar e alterar a composição da bile, favorecendo a estagnação do líquido e a formação de cálculos.

O Dr. Rodrigo Barbosa, cirurgião do aparelho digestivo, coloproctologista, especialista em cirurgia bariátrica e metabólica e fundador do Instituto Medicina em Foco, reforça que, além do emagrecimento rápido, o próprio efeito dessa classe terapêutica no sistema digestivo é um fator explicativo para esse risco. "As bulas atuais de semaglutida, tirzepatida e liraglutida já reconhecem associação com pedra na vesícula e até mesmo pancreatite biliar durante o tratamento".

O estudo conclui que, apesar dos benefícios no controle do peso e do diabetes, o uso desses medicamentos requer avaliação individualizada e acompanhamento clínico, especialmente em pacientes com fatores de risco para doenças biliares. O monitoramento de sintomas e a reavaliação da conduta terapêutica são indicados para reduzir a probabilidade de complicações durante o tratamento.

De acordo com o médico, o risco tende a ser maior em pacientes do sexo feminino, em idade mais avançada, com obesidade, algumas condições metabólicas, perda de peso muito rápida e histórico prévio de cálculos biliares. "A medicação não deve ser vista isoladamente, visto que o contexto clínico do paciente pesa bastante. Doenças biliares prévias, jejum prolongado, dietas muito restritivas e grande variação ponderal também merecem atenção".

Diagnóstico e prevenção

O cirurgião explica que, na suspeita de colelitíase ou colecistite, a investigação da vesícula biliar é indicada, conforme já alertam as próprias bulas desses medicamentos. Segundo ele, o ultrassom é o exame inicial de escolha nesses casos e também pode ser útil antes do início do tratamento para identificar cálculos, lama biliar ou alterações prévias na vesícula. Em situações selecionadas, a ecoendoscopia pode complementar essa avaliação.

Além disso, se houver dor abdominal importante durante o uso da medicação, a orientação é buscar um serviço de urgência para avaliação clínica e realização de exames como ultrassom abdominal, lipase e amilase. Sintomas como dor persistente, vômitos, febre, icterícia ou piora progressiva do quadro podem indicar inflamação na vesícula biliar ou pancreatite e exigem investigação imediata.

Para o especialista, apesar de não existir um protocolo universal de rastreamento por imagem para todos os pacientes assintomáticos, existe a necessidade de acompanhamento clínico regular para avaliar resposta ao tratamento, velocidade de perda de peso, tolerabilidade, presença de sintomas digestivos persistentes e sinais de alerta para complicações biliares ou pancreáticas. "Em pacientes de maior risco, a vigilância deve ser mais individualizada".

Segundo o Dr. Rodrigo Barbosa, pacientes em uso de canetas emagrecedoras podem adotar medidas preventivas para reduzir o risco de pedras na vesícula, como evitar perda de peso excessivamente rápida, fazer o tratamento com acompanhamento médico, seguir o escalonamento correto das doses e não banalizar sintomas persistentes.

"Também é importante manter uma alimentação orientada, evitar dietas extremas e informar ao médico se já existe histórico de cálculos, crises biliares ou doença da vesícula. O objetivo não é interromper um tratamento eficaz, mas conduzi-lo com mais segurança", enfatiza o especialista em cirurgia bariátrica e metabólica.

O fundador do Instituto Medicina em Foco ressalta que médicos e especialistas devem orientar melhor os pacientes sobre os riscos biliares e se comunicar com equilíbrio, sem desestimular o tratamento da obesidade.

"Essas medicações precisam ser usadas com critério, acompanhamento e informação clara. O paciente deve entender que efeitos gastrointestinais leves podem ocorrer, mas dor abdominal importante, febre, icterícia, vômitos persistentes ou piora progressiva exigem investigação", conclui.

Para mais informações, basta acessar a página do Instituto Medicina em Foco.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Campo Grande, MS
30°
Tempo limpo

Mín. 22° Máx. 33°

29° Sensação
2.76km/h Vento
35% Umidade
54% (1.18mm) Chance de chuva
07h09 Nascer do sol
18h20 Pôr do sol
Sex 35° 23°
Sáb 35° 25°
Dom 36° 24°
Seg 35° 25°
Ter 24° 20°
Atualizado às 10h01
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,07 -0,94%
Euro
R$ 5,84 -0,40%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 347,434,62 +1,94%
Ibovespa
174,677,98 pts 0.46%
Publicidade
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias