
A engenharia de fundações atua no mapeamento das condições do subsolo para o planejamento de projetos imobiliários. Em regiões com desenvolvimento vertical, o monitoramento das características do terreno integra as etapas de viabilidade técnica e de dimensionamento de insumos na construção civil.
Para correlacionar essas variáveis e debater soluções de segurança, a Feira Construir Aí firmou uma cooperação com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por meio do Laboratório de Mecânica dos Solos do Centro Tecnológico de Joinville. O objetivo é apresentar ao mercado de investimentos análises práticas sobre o comportamento do subsolo durante o evento, que ocorre de 8 a 11 de setembro no Expocentro Balneário Camboriú.
Como gancho para os debates, engenheiros traçam paralelos geológicos com grandes eventos esportivos. A Cidade do México, por exemplo, enfrenta afundamentos crônicos em sua malha urbana devido a um subsolo composto por argila mole de um antigo lago. Contudo, a área do Estádio Azteca permanece estável por estar sobre rocha vulcânica resistente, conforme estudos sobre o afundamento do solo mexicano.
Para o engenheiro civil Vinicius Lorenzi, doutor em fundações e geotecnia, a realidade das zonas litorâneas brasileiras impõe complexidades específicas que exigem atenção dos incorporadores.
"No cenário brasileiro, o comportamento geológico em zonas litorâneas apresenta variações ainda mais dinâmicas e complexas para o investidor. O perfil do solo costeiro costuma mudar drasticamente a cada metro escavado, apresentando solos arenosos fofos intercalados com argilas marinhas e orgânicas de baixíssima capacidade de suporte. Por essa razão, cidades com forte desenvolvimento vertical exigem um monitoramento detalhado do subsolo como mecanismo de proteção ao capital investido", explica Lorenzi.
O engenheiro civil complementa que essa oscilação sofre influência direta e constante do nível do lençol freático e da movimentação das marés.
"Essa característica torna a utilização de fundações rasas, como as sapatas, inviável para edifícios de grande porte ou arranha-céus, exigindo soluções de engenharia profunda para evitar problemas estruturais de recalques severos", adverte o especialista, relembrando o caso histórico dos prédios inclinados na orla de Santos.
A visão é compartilhada pelo Prof. Marcelo Heidemann, engenheiro civil, geotécnico e coordenador do Laboratório de Mecânica dos Solos da UFSC Joinville. O pesquisador alerta para os impactos financeiros gerados pela falta de mapeamento prévio nos terrenos.
"Erros ou omissões na sondagem inicial do terreno geram a necessidade de alterações nos projetos de fundação com as obras já em andamento. Essa modificação estrutural tardia interrompe o fluxo de trabalho nos canteiros, paralisa o cronograma de execução de forma severa e provoca estouros orçamentários imprevisíveis, destruindo a rentabilidade planejada para o empreendimento", avalia Heidemann.
O professor da UFSC esclarece que edifícios de grande porte demandam estacas robustas e profundas, projetadas para avançar pelas camadas moles do subsolo até estarem embutidas no embasamento rochoso resistente.
"Para ilustrar a gravidade econômica de ignorar essa etapa de planejamento, pesquisadores relembram a máxima da engenharia internacional de Tony Waltham, do Imperial College de Londres, que aponta que o construtor sempre paga pelas investigações do subsolo, quer ele as tenha executado ou não, uma vez que o custo de corrigir falhas na base supera o valor de qualquer teste prévio", conclui o coordenador.
A integração entre a pesquisa científica e o setor corporativo apresentada na Feira Construir Aí atende a parâmetros internacionais como o Eurocode 7, que preconiza o conhecimento real do terreno para a manutenção da rentabilidade e segurança jurídica dos empreendimentos, com informações institucionais acessíveis em construir.ai.
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