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Redução da Selic não garante queda nos juros de empréstimos

Especialista em renda fixa, Otávio Fakhoury, explicou à repórter Elaine Bast por que a diminuição da taxa Selic, iniciada em março, não reduziu as taxas médias de crédito bancário; ao contrário, elas aumentaram.

04/09/2026 às 11h11
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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Otávio Fakhoury
Otávio Fakhoury

Otávio Fakhoury, especialista em renda fixa no Brasil e no exterior, explicou à repórter de economia Elaine Bast por que a redução da taxa Selic, iniciada em março após quatro cortes sucessivos, não provocou diminuição nas taxas médias de crédito bancário para pessoas físicas e jurídicas. O especialista apontou que, apesar da queda da taxa básica, o crédito pessoal chegou a 130% ao ano, indicando que outros fatores influenciam o custo final dos empréstimos.

Fakhoury ressaltou que a Selic funciona como taxa de referência de curto prazo e afeta operações de prazo reduzido, mas não determina o preço do crédito de longo prazo. Bancos que concedem financiamentos, como os imobiliários, avaliam custos e riscos ao longo de todo o período, incorporando as taxas de juros de longo prazo negociadas no mercado.

No cenário internacional, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para o reaparecimento de pressões inflacionárias globais, o que eleva as expectativas de aumento das taxas básicas e dos rendimentos de títulos públicos em diversas economias. No Brasil, a dívida pública aumentou de R$ 7 trilhões para quase R$ 11 trilhões em cinco anos, sem cortes significativos de despesas. Segundo o Financial Stability Board (FSB), o pagamento de juros da dívida representa quase 9% do PIB, tornando o país o maior pagador de juros sobre sua dívida.

Fakhoury explicou que as taxas de longo prazo são definidas pelas expectativas de inflação, nível da dívida pública, política fiscal e confiança no cenário internacional. Quando o futuro econômico é incerto, o custo de financiamento torna‑se mais caro. A instabilidade institucional, caracterizada pela falta de regras claras e interferência nas políticas econômicas, também eleva o retorno exigido pelos investidores, limitando o efeito da redução da Selic.

A avaliação do FMI indica que o esforço brasileiro para cortar gastos ainda não é suficiente para estabilizar a dívida no longo prazo. A situação das contas públicas afeta diretamente o custo das dívidas das famílias e empresas, e impacta, por exemplo, o parcelamento de máquinas ou a expansão de negócios. Nos últimos cinco anos, com taxas básicas acima de dois dígitos, muitas empresas enfrentaram dificuldades; em junho, o país registrou recorde de 9 milhões de companhias com dívidas em atraso, enquanto quase 84 milhões de brasileiros estavam com restrições de crédito.

Segundo Fakhoury, a diminuição da Selic pode sinalizar uma política monetária mais flexível, mas, enquanto persistirem incertezas sobre inflação, gastos governamentais e estabilidade institucional, o custo do crédito permanecerá elevado tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas. O especialista concluiu que, no final, "quem manda é o mercado", reforçando que as taxas de juros são determinadas pelas condições de oferta e demanda no mercado financeiro.

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