
A 42 São Paulo (42 SP) conquistou o 1º lugar na categoria Inteligência Artificial " Tecnologia Educacional do Prêmio Destaque Educação Brasil 2026, do Congresso Educa Week. O reconhecimento chega no ano em que a escola completa sete anos de operação no Brasil, oferecendo formação gratuita e intensiva em engenharia de software para qualquer pessoa a partir de 18 anos.
O prêmio se soma a outras distinções recentes que ajudam a dimensionar o alcance do modelo de ensino. A 42 Network, rede global de origem francesa cuja metodologia a escola trouxe ao país em 2019, ocupa a terceira posição do ranking WURI 2026, sigla em inglês para World University Rankings for Innovation, atrás apenas da Minerva University e da Arizona State University, ambas dos Estados Unidos. Também em 2026, a unidade paulistana foi finalista do ranking Negócios em Expansão (NEEX) 2026, da Exame, como empresa de destaque na faixa de R$ 5 milhões a R$ 30 milhões.
Diferentemente de listas que priorizam citações acadêmicas e credenciais do corpo docente, o WURI avalia as instituições a partir de iniciativas concretas, segundo a metodologia divulgada pelos organizadores. É nesse critério que se encaixa a formação em engenharia de software da 42 SP, presencial, intensiva e 100% gratuita, com duração de até dois anos. Pode participar qualquer pessoa a partir de 18 anos, sem exigência de diploma ou de conhecimento prévio em tecnologia. Não há professores nem aulas expositivas, e o aprendizado ocorre por meio de projetos e da troca entre pares, em um campus aberto 24 horas por dia, sete dias por semana. A gratuidade da formação é viabilizada por empresas e fundações que apoiam o modelo, como Itaú, Fundação Telefônica Vivo, além de doações de pessoas físicas.
O currículo começa pelas linguagens C e Python e avança para conteúdos como programação orientada a objetos, redes, algoritmos e estruturas de dados. Concluída a etapa comum, os estudantes podem seguir por mais de 13 trilhas de especialização, entre elas cibersegurança, dados, inteligência artificial e desenvolvimento de games, web e mobile, conforme informa a escola. Para quem precisa de apoio financeiro para manter a rotina de estudos, a instituição oferece a possibilidade de auxílio financeiro.
Resultados e perfil dos estudantes
Ao longo de sete anos, mais de 1.340 alunos passaram pela 42 SP, de acordo com a instituição. Entre os formados, 81% estão empregados após a conclusão do curso e 80% trabalham na área de tecnologia. Um estudo realizado em 2025 pela consultoria Utopies, em conjunto com a 42 Network, estima que cada R$ 1 investido na escola paulistana gera R$ 3,3 em retorno social, indicador conhecido pela sigla SROI, do inglês Social Return on Investment.
A composição das turmas ajuda a explicar o peso desses números. Segundo a escola, 40% dos alunos estão em situação de vulnerabilidade econômica, 37% são pretos, pardos ou indígenas (PPI) e 40% são mulheres e pessoas trans. A idade média é de 26 anos, e as turmas reúnem estudantes de 18 a 60 anos.
Para Leila von Dreifus, CEO da 42 São Paulo, os indicadores mostram que o debate sobre o modelo mudou de natureza desde a chegada ao país. "Em sete anos, a pergunta mudou. No começo, precisávamos provar que uma escola sem professores, gratuita e aberta a qualquer pessoa a partir de 18 anos funcionava no Brasil. Hoje sabemos que funciona, e o desafio é outro: alcançar quem ainda acredita que tecnologia não é para si. Excelência e inclusão não são opostas; na 42 SP, uma sustenta a outra", assinala.
Marcos da operação no Brasil
Nos primeiros anos, o principal desafio foi demonstrar que a proposta se sustentava no contexto brasileiro. Entre 2020 e 2022, a pandemia de covid-19 exigiu transferir para o ambiente online uma escola concebida para o ensino presencial, sem abrir mão do padrão de formação. Foi nesse intervalo, em 2021, que surgiram os Labs, programa de empregabilidade que conecta os alunos ao mercado de trabalho por meio de alocações em empresas parceiras, acessível a partir de nove meses de curso.
Em 2024, as imersões e os programas voltados a empresas passaram a gerar receita própria, movimento que marcou o amadurecimento da operação. Já em 2026, a 42 SP deu início ao Piloto Horizonte TDS com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEDUC-SP), iniciativa que leva uma adaptação da metodologia ao curso técnico de Desenvolvimento de Sistemas em 10 (dez) escolas estaduais. O projeto piloto é viabilizado pela Fundação Telefônica Vivo e Fundação Bradesco.
Rede presente em mais de 30 países
Com mais de 50 campi e mais de 55 mil pessoas aprendendo engenharia de software, a 42 Network mantém o mesmo método em todas as unidades, segundo dados divulgados pela 42 SP. Sophie Viger, CEO da 42 Network, chama atenção para o que aproxima estudantes de contextos tão distintos. "Em todo o mundo, milhares de estudantes da 42 aprendem lado a lado. Eles vêm de países, culturas, gerações e trajetórias diferentes. Ainda assim, compartilham a mesma mentalidade: a disposição para aprender, se adaptar, ajudar uns aos outros e enfrentar os desafios de frente", destaca.
O próximo ciclo de ingresso na unidade paulistana já tem calendário definido. A Piscina, etapa de seleção gratuita e aberta a qualquer pessoa a partir de 18 anos, será realizada de 16 de novembro a 11 de dezembro de 2026, com inscrições entre 6 e 19 de outubro pela plataforma de candidatura.
Para mais informações e para participar dos processos seletivos, basta acessar: https://www.42sp.org.br/
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