
A cultura ganhou um novo espaço na agenda internacional. Em setembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas instituiu a Década Internacional da Cultura para o Desenvolvimento Sustentável (2027–2036), em resolução copatrocinada por 103 Estados-membros. A implementação será liderada pela UNESCO e estabelece um marco global de dez anos para fortalecer a contribuição da cultura para sociedades mais inclusivas, resilientes e sustentáveis.
No Rio de Janeiro, essa discussão já vinha mobilizando instituições culturais e educacionais. Realizado em maio, no Museu de Arte do Rio (MAR), o Cultura Conecta ::: Museus e Escolas 2026 reuniu mais de 150 participantes entre professores, educadores museais, estudantes das áreas de cultura e arte, gestores, pesquisadores e profissionais de instituições culturais.
Ao longo da programação, representantes de organizações brasileiras e internacionais discutiram temas relacionados à cultura, educação, inclusão, patrimônio, inovação e desenvolvimento sustentável. A UNESCO foi uma das parceiras da iniciativa e participou do painel de abertura, dedicado justamente às relações entre cultura, educação e desenvolvimento sustentável.
Mais do que concentrar essas discussões em um único encontro, o Cultura Conecta foi estruturado para ampliar seus desdobramentos ao longo do ano, por meio de ações de formação, produção de conteúdos e articulação com instituições culturais.
"O Cultura Conecta parte da ideia de aproximar cada vez mais os museus das escolas. Acreditamos muito na troca entre professores, mediadores e instituições, porque é daí que surgem novas formas de conectar os estudantes à cultura de maneira mais próxima e significativa", afirma Renata Prado, curadora do Cultura Conecta.
Em julho, foram disponibilizadas formações com profissionais de museus do Brasil e do exterior, reunindo experiências do Museu de Arte do Rio, Museu Afro Brasil, Museu Ed Leith Cretaceous Menagerie, Museu da Água de Lisboa e Museu Moderno de Buenos Aires.
Os conteúdos abordaram diferentes práticas de mediação, educação museal, patrimônio, ciência, sustentabilidade e relacionamento com públicos, ampliando o repertório de professores, estudantes, mediadores e demais profissionais ligados à cultura e à educação.
A continuidade dessa rede também esteve presente em agosto. No dia 29, contribuiu para uma ação formativa realizada no Museu de Arte do Rio, voltada à formação de mediadores museais. A atividade reforçou um dos princípios centrais do projeto: aproximar não apenas os estudantes dos espaços culturais, mas também fortalecer a formação dos profissionais responsáveis pela mediação, pelo acolhimento e pela construção de experiências educativas dentro dos museus.
Outro importante legado da iniciativa foi o lançamento de e-books destinados a educadores, reunindo conteúdos, propostas de atividades e planos de aula que podem ser aplicados com estudantes do Ensino Fundamental.
Os materiais foram desenvolvidos para permitir que as experiências compartilhadas pelos museus continuem circulando depois das formações e possam chegar às escolas em diferentes contextos. Arte, memória, patrimônio, ciência, sustentabilidade e cultura passam, assim, a integrar propostas pedagógicas capazes de estimular novas relações entre estudantes, professores e instituições culturais.
Esse movimento acompanha uma discussão internacional que vem ganhando cada vez mais espaço. Mesmo antes da criação da nova Década, a UNESCO já vinha desenvolvendo instrumentos para demonstrar de maneira concreta a contribuição da cultura para o desenvolvimento sustentável.
Um exemplo são os Culture|2030 Indicators, estrutura criada pela UNESCO para medir e acompanhar essa contribuição. O sistema reúne 22 indicadores temáticos, organizados em dimensões relacionadas a ambiente e resiliência, prosperidade, conhecimento e competências, inclusão e participação. A proposta é produzir evidências capazes de tornar a contribuição da cultura mais visível e apoiar políticas e decisões baseadas em dados.
O próprio modelo considera a cultura tanto como um setor em si quanto como um elemento transversal a diferentes áreas do desenvolvimento. Entre os aspectos observados estão educação cultural e artística, formação, acesso à cultura, participação, infraestrutura cultural e contribuição da cultura para a coesão social.
A criação da Década Internacional da Cultura para o Desenvolvimento Sustentável amplia essa perspectiva ao estabelecer uma agenda de longo prazo para o período de 2027 a 2036, buscando fortalecer a presença da cultura nas estratégias de desenvolvimento e mobilizar governos, instituições e sociedade civil.
Nesse cenário, experiências que aproximam museus, escolas, educadores e territórios ganham ainda mais relevância. Ao combinar formação, intercâmbio entre instituições e produção de materiais pedagógicos, o Cultura Conecta busca transformar essa discussão em ações concretas.
A sequência de iniciativas desenvolvidas ao longo do ano mostra como a proposta ultrapassou os limites do encontro presencial e passou a se traduzir em formação, produção de conhecimento e novas conexões entre instituições culturais e escolas.
Com a cultura assumindo uma posição cada vez mais estratégica na agenda internacional, o desafio passa a ser transformar esse reconhecimento em oportunidades efetivas de acesso, aprendizagem e participação. É nesse espaço de conexão entre cultura e educação, museus e escolas, instituições e territórios que o Cultura Conecta pretende seguir atuando. O Cultura Conecta é um projeto incentivado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, pela Prefeitura do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura e Assim Saúde.
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