
Dados de monitoramento mostram avanços na conformidade de material de construção. Segundo a Intertek-Tesis, entidade gestora técnica acreditada pelo Inmetro, o índice dos eletrodutos plásticos para sistemas elétricos de baixa tensão passou de 28%, no início do programa, para 97% em agosto de 2025. O drywall avançou de 33% para 91%, e os tubos de PVC para sistemas hidráulicos prediais, de 60% para 95%.
Para aproximar essas informações do varejo e alertar sobre os riscos da venda de produtos fora das normas, Campinas recebe, em 20 de outubro, a primeira etapa do Circuito Nacional da Qualidade Anamaco. Promovida pela Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção, a iniciativa prevê 20 encontros presenciais em 20 cidades entre outubro de 2026 e novembro de 2027.
A estreia é realizada com a Acomac Campinas e a Acomac Jundiaí e integra uma mobilização do Sistema Anamaco, Abramat, Sinaprocim e entidades do Fórum pela Qualidade do Material de Construção. O Circuito é um desdobramento do Programa Nacional de Conscientização pela Qualidade do Material de Construção, lançado na FEICON 2026.
"A qualidade do material que chega à obra começa muito antes da aplicação. Passa pela indústria, pela importação, pela distribuição e, necessariamente, pelo balcão das lojas que todos os dias ajudam consumidores, profissionais e construtores a decidir o que comprar", afirma Cassio Tucunduva, presidente do Sistema Anamaco.
A projeção da entidade é alcançar mais de 10 mil lojistas presencialmente nas 20 etapas e superar 100 mil profissionais impactados pelas ações digitais.
Riscos para o consumidor e para a loja
Materiais fora das normas podem causar retrabalho, desperdício, infiltrações, falhas nas instalações e problemas elétricos, além de comprometer a segurança. Argamassas colantes inadequadas, por exemplo, podem provocar o desplacamento de revestimentos cerâmicos e colocar pessoas em risco.
O problema também tem dimensão jurídica. O artigo 39, inciso VIII, do Código de Defesa do Consumidor proíbe a colocação no mercado de produtos em desacordo com normas oficiais ou, na ausência delas, com normas da ABNT ou de entidade credenciada pelo Conmetro.
Para produtos regulamentados pelo Inmetro, irregularidades podem atingir fabricantes, importadores, distribuidores, atacadistas e varejistas. As penalidades incluem advertência, apreensão, interdição e multas, conforme a infração. Somam-se a isso os custos de pós-venda, as reclamações e os danos à reputação da loja.
"Queremos dar ao lojista o acesso à informação que permita comprar melhor, questionar o fornecedor e vender com mais segurança. O varejo é o elo que conversa diretamente com o consumidor e, por isso, tem um poder enorme para induzir o mercado na direção da qualidade", destaca Julio Pereira, presidente executivo da Anamaco.
Concorrência e responsabilidade
Segundo os organizadores, a concorrência desleal é outra preocupação: empresas que cumprem normas e investem em controle de qualidade disputam mercado com produtos cujo preço menor decorre do descumprimento de requisitos técnicos. O tema integra as discussões do Comitê de Política Setorial da Anamaco.
"Quem cumpre a norma, investe em matéria-prima, controle, ensaios e qualidade tem um custo para fazer isso. Quando um produto que não entrega as mesmas características entra no mercado disputando apenas por preço, não estamos diante de uma concorrência equilibrada", afirma Rodrigo Rinaldi Nandi, coordenador do comitê, que também ressalta que o lojista precisa distinguir preço competitivo de preço obtido às custas da qualidade.
De acordo com o comitê, a exigência também deve ser a mesma para materiais nacionais e importados. Para as entidades, a questão não é a origem, mas o atendimento às normas brasileiras.
"Conformidade não tem nacionalidade. Seja produzido no Brasil ou no exterior, o material precisa entregar aquilo que a norma técnica exige. A qualidade precisa ser comprovável, e não presumida pela aparência do produto", afirma o engenheiro Anderson Augusto de Oliveira, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do Sinaprocim e Sinprocim e gerente de Programas Setoriais da Qualidade.
Ainda segundo o engenheiro, as preocupações se estendem ao comércio eletrônico e aos marketplaces. A ampliação da oferta traz desafios de rastreabilidade e fiscalização, sobretudo quando não há clareza sobre a origem do produto, o responsável pela venda ou as evidências de conformidade. As entidades defendem os mesmos requisitos técnicos e de segurança para o varejo físico e digital.
Do laboratório para o balcão
O Circuito pretende traduzir informações técnicas em orientações práticas: como consultar a conformidade, identificar fornecedores qualificados, compreender os riscos de diferentes categorias e incorporar a qualidade à decisão de compra.
Os Programas Setoriais da Qualidade (PSQs) mantêm listas públicas de empresas e produtos monitorados. O Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H) reúne informações sobre empresas qualificadas e não conformes. Outras categorias contam com bases e certificações específicas, com critérios próprios de consulta.
A proposta é aproximar essas ferramentas de consulta das mais de 160 mil lojas representadas pelo Sistema Anamaco e reunir indústria, organismos técnicos, entidades e varejo em uma agenda comum. Após Campinas, estão previstas outras 19 etapas pelo país.
Serviço
Circuito Nacional da Qualidade Anamaco – 1ª edição | Campinas
Data: 20 de outubro de 2026
Welcome coffee: 7h30
Local: Hotel Premium Campinas – Rua Novotel, 931, Jardim Nova Aparecida, Campinas/SP
Público: lojistas e equipes de lojas de material de construção
Participação gratuita com vagas limitadas
Inscrições: acesse o formulário
Mais informações: (11) 99659-0093
Mín. 20° Máx. 33°

